encanto pela música que é cuspida pelas invisíveis colunas do veículo

 


As batidas da música que infesta o automóvel lembram o som de uma lata velha cambaleando na barriga de um mar de pedregulhos. O compasso é, em algumas partes, descompassado e o ritmo desritmado como se o produtor os tivesse manufacturado inerte numa camisa de forças. Pergunta-se: não terá esta música resultado de uma "alucinação visual e acústica do diabo"?
" buluku buluku buluku..."
Enfim, alguém dirá que são as novas tendências, as vibes do momento. Nlta! "Ai da passividade animal"!

"... buluku ... buluku... buluku..."
Whatever! O que se quer aqui dizer é  que esta música tem um sabor cáustico aos ouvidos cultos e exigentes dos que veneram a moral e a ética social. Porém, talvez para provar o contrário, o cobrador, enquanto monitora a porta e com palmadas à caixa do carro comunica ao motorista as paragens e os avanços rodoviários, abana a cabeça e os ombros demonstrando a sua admiração e encanto pela música que é cuspida pelas invisíveis colunas do veículo.
buluku... buluku... buluku"

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